Handicap
Quando a diferença técnica entre um jogador e outro é grande demais, vai embora o prazer, e com ele, a recompensa do exercício.
A beleza de qualquer prática está justamente quando há equiparação entre os que jogam.
O tênis é assim.
O esqui é assim.
O golfe é assim.
Mas neste último há algo peculiar.
Por mais que exista distância entre os jogadores, há um recurso chamado handicap: um sistema que equaliza o iniciante ao mais experiente.
É como se, num jogo de futebol, o placar começasse com alguns gols de vantagem para quem tem menos técnica.
A reflexão se dá em dois lados: um, o do estímulo à evolução porque sempre há espaço para melhorar, e a cada avanço novas relações se abrem, o jogo muda; e outro, o da equidade. Como é agradável quando o ambiente permite que todos tenham a mesma chance de vencer, partindo de um ponto comum.
Talvez o segredo seja esse: entender o próprio handicap e seguir jogando.
Porque vencer nem sempre é zerar o placar, às vezes, é poder continuar no campo.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1574 — 21/11/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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