11.11 Cabeça e o Coração empatam no tie-break
A data é uma combinação curiosa.
Dessas que a gente acha que ninguém repara além da própria cuca.
Aí vem o varejo e transforma o 11.11 em dia de promoções irresistíveis.
Mais uma oportunidade de consumo em um mês que já tem a Black Friday inteira.
Hoje eu tinha um jogo de tênis no clube.
Valendo uma vaga na categoria acima para o ranking do ano que vem.
E é verdade: eu me preparei pra esse momento.
Treinos duas vezes por semana, jogos aos fins de semana, competições...
Esse esporte, como todo esporte individual, joga a carga e o mérito inteiros em você. Não dá pra tocar pro lado. É você contra você.
Perdi o primeiro set: 5x7.
Ganhei o segundo: 6x2.
E o tie-breakão, que vai até 10 pontos, eu levei por 10x7.
Três pontos.
Essa era a diferença entre subir de categoria ou jogar mais um ano no mesmo lugar.
Nos pontos finais, pensei: “Cara, você se preparou pra viver isso.”
Lembrei do João Fonseca, "agora é coração" e dele dizendo que gosta do frio na barriga na competição.
Lembrei do Fenômeno, que convertia em gol quase tudo o que criava.
Pensei que o que diferencia os vencedores é essa capacidade de fazer os momentos-chave acontecerem a favor deles. De jogar o ponto que muda a história da partida e, às vezes, da vida.
Vieram as vozes dos professores: mexe a perna, baixa o joelho, olha a bola, solta o movimento, respira fundo...
Quem via de fora devia achar um show de horrores: dois T-Rex duelando de braço encolhido, morrendo de medo de errar.
Nenhuma racionalidade me acalmava. Até eu lembrar que hoje era 11.11.
A coincidência me lembrou que talvez sorte e sintonia sejam a mesma coisa: quando o treino encontra o momento certo.
E aí não teve jeito, fiz os dois pontos finais.
Até onde vai a cabeça e quando entra o coração?
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1573 — 14/11/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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