Entedie-se!
…é a melhor coisa que podemos fazer, um pelo outro, no próximo ano...
Há uma ideia persistente na nossa cabeça de que a vida deveria ser como gostaríamos, e não como ela é. Por isso, sofremos. Ao aceitarmos o que está fora do nosso controle, liberamos resistência e focamos energia onde podemos agir, aliviando a exaustão mental— fator que mais me chamou atenção esse ano.
Uma expressão de 2024 é Brain-Rot, ou "Cérebro-Derretido", que descreve o cansaço mental causado pelo excesso de estímulos improdutivos, como rolar feeds sem fim ou maratonar séries (quem nunca?!). Nos viciamos em baldes de dopamina e, ao mesmo tempo, ficamos mais ansiosos e distantes de quem está ao nosso lado. Notou alguém meio borocoxô aí na sua casa também?
O que fazer para sair desse ciclo?
Fazer nada.
A gente precisa fazer nada mais vezes. Muitos avanços culturais e intelectuais surgem do tédio. Ao invés de fugir da monotonia com estímulos externos, observe o desconforto e transforme-o em crescimento. Conviver com o ócio pode trazer maior presença, introspecção, criatividade e verdadeira liberdade mental. Vale para nós, para os nossos filhos (crianças e adolescentes) e para os nossos pais (melhor idade não sai do Zap mais...)
Como disse Harari, “o mundo precisa de líderes entediantes e políticos sem graça de volta, por mais momentos em paz." Sem saber lidar com o tédio, buscamos constantemente a próxima excitação, aumentando os riscos até desmoronarmos.
Fique atento no trabalho quando buscar a produtividade a qualquer custo, pois há uma linha tênue entre um desafio que vale a pena abraçar e um bolo de estresse que resolvemos nos enfiar a toa.
Nessa virada de ano, chame o tédio de Ted e traga-o para a sua rotina e a da sua família, poupe uns tufos de cabelo e rugas: os juros estão bombando!
Te desejo um próspero 2025, com saúde, atividades fora das telas e mais nada.
Leopoldo Jereissati
FalaMan.com.br
Especial de fim de ano, enviado pelo autor à sua lista de contatos. Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1530 — 17/01/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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