Leopoldo JereissatiFala Man

10 out 2025 · 1 min de leitura · Jornal da Cidade

9-9-6

Na China, a lógica de trabalho é simples: das 9h da manhã às 9h da noite, seis dias por semana. Um código numérico para um estilo de vida que mistura disciplina, ambição e exaustão.

Curioso como, em situações paliativas, um dos maiores arrependimentos das pessoas é justamente “ter trabalhado demais”. Mas, na corrida pela liderança global, seja na economia, seja na inteligência artificial, o bem-estar parece ter saído do mapa.

O que importa é chegar primeiro.

Mas chegar primeiro onde?

Poucos sabem.

E se o destino é incerto, acelerar em qualquer direção só aumenta o risco de se perder. Que loucura coletiva é essa em que a pressa virou sinônimo de propósito?

Se você se espantou com a carga horária chinesa, saiba que o agro brasileiro não fica muito atrás.

Ali também se trabalha das 6h às 6h, às vezes sete dias por semana. Tem um holandês que mora ali perto da polícia que é a prova viva disso: só faltam os olhos puxados de tanto que trabalhou e ainda trabalha inspirando gerações.

Aliás, ele deve estar no escritório agora.

Lendo esta crônica.

Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1568 — 10/10/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).