9-9-6
Na China, a lógica de trabalho é simples: das 9h da manhã às 9h da noite, seis dias por semana. Um código numérico para um estilo de vida que mistura disciplina, ambição e exaustão.
Curioso como, em situações paliativas, um dos maiores arrependimentos das pessoas é justamente “ter trabalhado demais”. Mas, na corrida pela liderança global, seja na economia, seja na inteligência artificial, o bem-estar parece ter saído do mapa.
O que importa é chegar primeiro.
Mas chegar primeiro onde?
Poucos sabem.
E se o destino é incerto, acelerar em qualquer direção só aumenta o risco de se perder. Que loucura coletiva é essa em que a pressa virou sinônimo de propósito?
Se você se espantou com a carga horária chinesa, saiba que o agro brasileiro não fica muito atrás.
Ali também se trabalha das 6h às 6h, às vezes sete dias por semana. Tem um holandês que mora ali perto da polícia que é a prova viva disso: só faltam os olhos puxados de tanto que trabalhou e ainda trabalha inspirando gerações.
Aliás, ele deve estar no escritório agora.
Lendo esta crônica.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1568 — 10/10/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
Uma crônica por semana, direto no seu WhatsApp. Sem spam, sem pressa.
Seguir o canal