Leopoldo JereissatiFala Man

26 set 2025 · 1 min de leitura · Jornal da Cidade

Múltipla Escolha

Outro dia eu estava jantando, assistindo a uma aula de filosofia pelo Zoom, trabalhando pelo celular respondendo e-mails, com meus filhos querendo brincar comigo; tudo isso ao mesmo tempo.

Se eu percebi? Claro que não. Ao menos não na hora. Passadas algumas boas horas, talvez quase um dia inteiro, durante um voo para Salvador, me peguei assistindo a um filme no tablet de um desconhecido sentado à minha frente. Obviamente sem som para mim. Era com Tom Hanks, Otto. Não sei ao certo sobre o que é a história, mas consegui me emocionar com uma cena aleatória e, para mim, aquilo foi um sinal.

No filme, a esposa dele já havia morrido, por alguma razão que não consegui descobrir a tempo de o voo acabar. Do outro lado do corredor, ao meu lado portanto, estava minha esposa sentada, lendo e voando comigo.

— Sabe o que eu estava pensando aqui? A vida é muito curta para a gente tratar mal o outro.

— Você está me tratando mal, é isso?

Balancei a cabeça, sinalizando e reconhecendo que sim.

— Você anda fazendo muita coisa, Leo... E foi ela quem me conscientizou sobre a cena do início da crônica.

A gente precisa de alguém olhando por nós, enquanto olhamos pelos outros. E também precisamos, de vez em quando, olhar para nós mesmos.

Temos três dias off agora, eu e ela... se bem que é uma viagem de networking.

Saio de São Paulo, mas São Paulo não sai fácil de mim.

Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1566 — 26/09/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).