Leopoldo JereissatiFala Man

15 ago 2025 · 2 min de leitura · Jornal da Cidade

No Tempo da I.A.

Nesta quinta-feira, fui a uma palestra do Peter Diamandis no Experience Club, em São Paulo. O tema: longevidade.

Ele falava com a serenidade de quem não apenas quer viver mais, mas quer viver o suficiente para ver o futuro se revelar por inteiro.

A plateia ouvia números: avanços médicos que podem dobrar nossa expectativa de vida, pílulas da juventude, terapias que reparam DNA como quem revisa um texto no Word, robôs aos bilhões até 2040… e por aí fomos.

Tudo o que dizia tinha como pano de fundo inevitável a inteligência artificial, o grande catalisador desse salto.

O que me chamou atenção não foram as estatísticas, mas a mudança de eixo. Antes, o tempo era um rio que corria à nossa frente, indiferente. Hoje, ele parece um software que estamos aprendendo a hackear.

Diamandis dizia que, se conseguirmos “ganhar” mais um ano de vida para cada ano que passa, em 2035 entraremos na chamada Velocidade de Escape da Morte. Não é imortalidade; é adiar o fim até onde a ciência aguentar. Só “não morra de forma estúpida”, brincou.

E aí me peguei pensando: se a I.A. nos ajudar a viver até os 120, o que vamos fazer com todo esse tempo? Produzir mais planilhas? Passar mais horas em reuniões sem propósito? Ou finalmente nos dar o luxo de sentar na varanda e ver a sombra se mover devagar sobre o chão?

A ironia é que, enquanto trabalhamos para ganhar anos, esquecemos que podemos ganhar minutos agora. Minutos que não custam nada, não exigem senha nem dependem de algoritmo. Minutos de presença pura.

Talvez, no tempo da I.A., a verdadeira revolução não seja apenas viver mais. Seja viver melhor e no tempo certo.

Que dá vontade de ver e viver esse novo ciclo, dá. E, ao que tudo indica, veremos nos próximos 10 anos uma revolução maior do que nos últimos 100.

Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1560 — 15/08/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).