Especialistas ou Oportunistas?
Tim Ferriss, no livro Trabalhe Quatro Horas por Semana, defende que, com algumas boas horas de dedicação, já conseguimos saber mais do que 80% das pessoas sobre qualquer tema.
Já Malcolm Gladwell, em Outliers, traz o famoso argumento das 10 mil horas: seria esse o tempo necessário para alguém realmente se destacar em uma área e atingir a maestria.
E então chegou a inteligência artificial.
Mal começamos a entender o impacto da IA na nossa vida — e já pipocam especialistas por todos os lados. Cursos, mentorias, workshops, consultorias. Todo mundo pronto para preparar você e seu negócio para o “novo tempo”.
O que eu acho?
Acho que não deu tempo. A tecnologia está mudando rápido demais. Toda semana um modelo novo, um recurso novo, uma disrupção nova.
O que precisamos, por enquanto, é menos pressa em ensinar e mais vontade de aprender. Primeiro, escrever bons prompts — ou seja, aprender a fazer as perguntas certas. Depois, entender o papel dos agentes, esses sistemas que automatizam, empoderam e até tomam decisões por nós. E por fim, mergulhar nos modelos. Neles mora uma grande oportunidade para novos negócios e serviços.
Cuidado com os "especialistas" da internet. Procure gente séria. Com prática. Com reputação. E, principalmente, se atualize você mesmo.
Eu, por exemplo, escrevo crônicas porque amo. O jornal me dá esse espaço e essa chance.
Mas, entre nós: meu ChatGPT já poderia fazer tudo isso no meu lugar. Mais rápido. E, talvez, até melhor.
Então por que sigo escrevendo?
Porque, como disse Simon Sinek, não fazemos as coisas apenas pelo resultado. Fazemos por nós. Pelo nosso próprio desenvolvimento. Porque amamos o processo.
E é isso que ainda nos faz humanos, mesmo em tempos de máquinas cada vez mais brilhantes.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1558 — 01/08/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
Uma crônica por semana, direto no seu WhatsApp. Sem spam, sem pressa.
Seguir o canal