Tão perto, tão longe
Você já perdeu um voo? Ou aquele ônibus pra viajar? Que sensação horrível. De repente tudo desorganiza, o relógio gira em 2X, e vira um corre-corre danado pra ver no que vai dar.
Corre motorista do Uber! Corre ferry-boat! Corre esposa, marido e filhos pequenos. Carrega sacola, mala de despacho, mala de mão, ovos de Páscoa, carrinho, passa no raio-x, corre pro portão e… aos 49 minutos do segundo tempo, perdemos o voo. Dessa vez, não deu.
E agora? Fazer o quê? Replanejar. Quem fica, quem vai antes. Olha a agenda de trabalho da semana em São Paulo, olha a agenda escolar, entra na loja da companhia aérea pra tentar remarcar logo pra todo mundo — mas os preços no feriadão não ajudam.
"Esse é o preço da desorganização" — escuto meu sogro sem que ele diga uma palavra.
"Mas a gente é bem-organizado… deu um apagão. Sem explicação, a gente se distraiu e se atrasou" — tento justificar, pra mim mesmo.
Parece um dia fatídico, mas a real é que a vida é caótica assim mesmo. A gente que se ilude achando que tem controle. Enquanto espero aqui no saguão do aeroporto, leio que o Papa Francisco se foi. E uma das frases dele que mais gosto — e que me veio à cabeça agora — é:
“Paciência é saber suportar os males.”
E as malas também… lá vamos nós de novo!
Eita Papa gente boa esse que nos deixou.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1544 — 25/04/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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