De Cara Limpa
Na minha família, avó, tia, mãe e suas primas, duas delas morando ali no Duas Marias, sempre foram muito vaidosas.
A Vó, virava e mexia aparecia cheia de laquê nos cabelos. A gente, pequeno, gostava do cheirinho, e de apertar aquele tubo de gás que deixava nossos dedos grudando. A "véia" ficava doida que desperdiçávamos o negócio raro e importado, enquanto nós nos divertíamos no banheiro dela.
Todavia, há momentos na vida que precisamos tirar a maquiagem e ficar de cara limpa. Nessa hora, vulnerável é verdade, as pessoas e nós mesmos começamos a nos enxergar de verdade.
Sei lá, há algo de belo e de puro no que é natural. A gente consegue perceber o ser-humano que está guardado ali.
Olhando para o espelho, vemos um filme, como estes que os celulares preparam de surpresa para nós ultimamente, só que só na nossa cabeça.
Quando acordar pela manhã, lembre-se do que Nietzsche nos ensinou:
"O sinal da maturidade é poder rir de si mesmo."
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1526 — 06/12/2024, p. 2. Ver a edição (PDF).
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