Nosso Primeiro Dia das Mães
…meu, como Pai.
Meu Tudo
Combinei com o papai de eu ditar essa crônica. Tenho apenas oito meses né?! Ainda não sei escrever e como também ainda não sei falar, queria comemorar o dia de hoje te agradecendo. Vou expressando aqui do tapetinho no chão o que eu sinto, a exatas 4h05 da manhã, enquanto o papai vai pondo no papel.
Obrigado mamãe, por se alimentar tão bem durante sua gravidez. Dentro da sua barriga eu deixei de ser um pequeno óvulo e saí daí com 3.2kg e 50,5cm.
Obrigado mamãe por optar pelo parto humanizado. Logo que nasci pude ir direto para o seu peito e foi enquanto eu mamava pela primeira vez que você percebeu que eu já estava ali do lado de fora, tamanha energia que você tinha dedicado para mim.
Obrigado pela livre demanda que escolheu fazer. Tomando apenas o seu leite e mais nada por 6 meses eu ganhei mais de 8kg. Dizem que eu sou um bebê grande e tenho certeza que boa parte do meu crescimento veio pela sua disposição interminável de vir até mim a cada vez que eu suplicava, aos berros, diuturnamente.
Hoje estou com 73cm e mais de 9kg. O papai disse que seu único desejo na gravidez foi um “Galeto na Brasa”. Isso deve explicar minha paixão por proteína além de eu conseguir comer quase tudo o que vocês me oferecem. Dizem que tem a ver com a versatilidade de alimentos que você come mamãe, assim torna a aceitação destes sabores mais fácil para mim.
Falando nisso, obrigado por transformar nossa cozinha na da “Ana Maria Braga dos Bebês”. Como a pediatra comentou que eu tenho até os dez meses para provar a maior quantidade de alimentos possíveis e assim mitigar quaisquer alergias futuras, até polvo e camarão anda saindo aqui das panelas.
Obrigado por me deixar comer com as mãos e com a colher, amassadinho. Assim testamos novas práticas (BLW) e deixamos nossa babá mais tranquila nos esquemas das antigas. O seu peito ainda é meu porto seguro, mesmo não mamando mais tantas vezes aí, sabe que eu gosto de ficar brincando com eles. O papai disse que logo vai cortar o meu barato e pegar o brinquedo dele de volta. Tudo no seu tempo.
Obrigado por me levar para todo o lado. Viajar já é uma das minhas especialidades.
Obrigado pela paciência comigo e com o papai. Ele disse que eu ando colocando em teste de fogo o relacionamento de vocês mas que andam passando bem por toda essa carga. Não que seja exclusivo de vocês isso mas que eu deixei claro que é preciso gostarem muito um do outro para dar conta do dia a dia, isso eu fiz.
Obrigado por sorrir para mim, mesmo nos dias mais difíceis.
Depois de tanto lhe agradecer mamãe, eu escolhi o meu presente para você:
Quero que saiba que, de agora em diante, a senhora pode se permitir lembrar de si mais vezes. Pode relaxar. Eu aprendi vendo as mamães por aí que todas carregam um sentimento de culpa enorme por voltar ao trabalho e não poderem passar mais tanto tempo com a gente durante o dia. Por quererem voltar ao ritmo da rotina de antes, da academia, do pilates, dos jantarzinhos com vinho, dos passeios sem a gente por perto, ao final é um turbilhão de emoções que trazemos né. Como sua amiga te disse, “ser mãe é padecer no paraíso”. Entendi também a importância do seu sono, e estamos encontrando juntos um caminho para você descansar como merece. Acho que é por isso que tem tanta banheira e coisas para o banho para vocês por aí; no seu lugar era ali que eu gostaria de estar agora e tantas outras vezes na semana.
Mamãe, eu te amo.
Obrigado por tanto.
É por tudo isso acima e mais tantas outras coisas que você é a melhor mãe do mundo.
Beijos, Francisco.
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Ps: Neste domingo, 8 de maio de 2022, a gente comemora a agitada data do dia das mães. O shopping ferve, os supermercados lotam, os restaurantes fazem fila e as estradas congestionam. Pelas mais diversas e profundas razões muitos de nós saímos obedientes rumo às nossas matrizes nesse dia e foi me tornando pai que compreendi o verdadeiro motivo para tudo isso.
Finalizo essa crônica na casa da Bisa do Francisco aqui em Campinas. Minha avó Ilda — cronista também e inspiração para mim, minha mãe, minha tia, irmã e a mãe do meu filho.
Esse sábado foi especialmente puxado com nosso filho de oito meses. Os dois estressados e cansados por motivos distintos e semelhantes. Ela deu o jantar, eu o banho, ela o colocou para dormir, eu pus a mesa para nós e preparei os hambúrgueres — combinado da noite para sairmos um pouco da rotina. Ela quis que eu abrisse um vinho e a servi uma taça ao lado de um copo de água sem gelo que ela gosta e esperei ela sair do ninho do pequeno. Exausta, ela veio torcendo para que ele não acordasse, ao menos até conseguirmos comer nós dois.
Conversando como sempre fizemos a gente descobriu juntos, apesar dela não assumir, que não havia melhor ventre no mundo que não o dela para nascer um filho meu e dos nosso olhos correram algumas lágrimas.
Mãe carrega um sentimento enorme de culpa. De auto-cobrança. Aos seus olhos o tanto que elas fazem e se entregam nunca está bom. Nunca é o suficiente. A real é que como filho, sei que a data tem seu lugar no calendário. Como pai, esta mesma data está sendo ressignificada para mim hoje ao acompanhar de perto a jornada da minha mulher da gravidez ao parto e o 7x1 diário que é criar, com amor, nosso(s) filho(s).
Bepa, obrigado por tudo. Está só começando.. rsrs
Feliiz dia das Mães!
Publicada originalmente no Medium. Ver no Medium.
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