Visita Guiada
Investimento a longo prazo.
Gostar de ir à museus é uma tarefa difícil para quem nunca saiu do Brasil. Por circunstâncias da vida eu acabei conhecendo o Museu de História Natural de Nova Iorque antes mesmo de ter frequentado nosso Museu do Ipiranga. Por mais fã daqui que eu seja, é difícil comparar a experiência e o grau de imaginação que se atinge dentro de um ambiente mágico entre gigantescas ossadas de dinossauros e as famosas ânforas de cristal contendo as águas dos rios nacionais do outro — quando criança principalmente.
Museu Paulista & Museu de História Natural NYC
Minha jornada em museus começou com meu pai incentivando esses passeios desde muito cedo e depois mais tarde, provavelmente sem o mesmo saco de antes, nos mandando já adolescentes em excursões guiadas: “Meus 15 anos na Europa” — Stella Barros; era um clássico da época e carrego grandes amigos e lições dessa viagem. Foram cerca de vinte dias viajando de ônibus pelo velho continente, de cidade em cidade, de museu em museu. Conheci Londres, Paris, descemos toda a França até Nice, Mônaco, Firenze, Veneza, Pisa, Siena, Roma, Capri e outras cidadelas graciosas entre estes destinos mais conhecidos. Junto com a galera do busão, embarcou conosco um guia espanhol inteligentíssimo, verdadeiro conhecedor de história. Imagine você, levar uma turma com cerca de 30 aborrescentes interessados em comprar, passear e se divertir para longas jornadas culturais. Não é para qualquer um, mas ele fez toda a diferença na viagem. Os guias são tão importantes ou mais do que os museus em si, pois eles conseguem nos passar as verdadeiras histórias por trás das grandes obras. Através deles que se tem a verdadeira magnitude daquilo que foi concebido por gênios da arte em forma de estátuas, pinturas ou qualquer outra forma que seja; pelo discurso deles que aprendemos dar valor à arte. Repara a velocidade qual as pessoas circulam nos museus sem guias. É quase que um check point, um… quem chega mais rápido na Mona Lisa de Leonardo da Vinci (Louvre). Quando se depara com a realidade da obra, pouco se entende e alguns segundos bastam para você fazer um selfie e sair logo dali, quase arrependido de ter ficado tanto tempo na fila ou perdido um dia lá fora. Saindo você ainda escuta: “Não vem com esses papos de museu hein que não quero perder tempo dessa vez” — chega a cortar o coração de escutar frase tão comum nas nossas rodas.
Entre as coisas mais impressionantes que já conheci está o Museu do Vaticano. A galeria dos mapas é indescritível, talvez comparada aos mais modernos centros de controle atuais dos headquarters de Google e Facebook. Se não me engano, esta parte do museu está no caminho que nos leva para a mais charmosa capela do local, a Capela Sistina.
Galeria dos Mapas — Museu do Vaticano
Nada de muito novo para falar dela aqui. Michelangelo, entre 1508 e 1512 pintou aquele monte de coisas diferentes no teto. Na prática estão “nove cenas do Gênesis, dentre as quais A Criação de Adão é a mais famosa…Um símbolo da influência desse painel do afresco é o detalhe do encontro das mãos de Deus e Adão, reproduzido incontáveis vezes na arte e na cultura popular.”
O que me marcou e me intrigou mais, para além da imagem e o foco no encontro das mãos de Deus e Adão foram três detalhes contados pelo guia:
Reparem que o “pano” por trás de Deus tem o mesmo formato de um cérebro humano; uma crítica talvez à religião no coração dela? Há várias interpretações.
Adão está nu em plena igreja católica; parece que a depender do Papa mandavam tapar o dito cujo com folhas pintadas ou retirar de novo.
O mais legal de todos, reparem que nos joelhos e batata da perna de Adão, é possível enxergar a figura do corpo feminino, seios, cintura e pernas. Uma forma genial de inclusão em uma época completamente diferente da de hoje.
O ponto três, nunca saiu da minha cabeça, e por mais maluco que seja, tive esse recall imediato aqui em casa essa semana, quase 20 anos depois da visita ao Museu. Celebrando a vida com a minha esposa numa conversa gostosa e descontraída, eis que me deparo com a representação de Michelangelo presente na minha sala. Se você fizer o teste, ao dobrar sua perna, forma similar vai aparecer por aí mesmo 400 anos depois de criada pelo fera.
Não vejo a hora de podermos voltar a viajar e ver de perto tanta coisa maravilhosa nesse mundão a fora. Curioso que desde muito cedo eu tenho essa vontade de “trazer para cá” uma experiência como essa para o povo brasileiro. Ainda hei de viabilizar isso. Nunca foi tão importante desenvolvermos nossa relação entre a ciência e a consciência por aqui. Tenho enorme esperança nas futuras gerações.
Ps (i): Quais são os seus três museus favoritos? Aqui no Brasil e lá fora?
Os meus:
BRA
MASP — SP
Museu do Futebol — SP
MuBE — SP
(Quero conhecer mais museus pelo Brasil…)
Lá fora
Museum of Natural History (NYC)
Metropolitan Museum of Art (NYC)
Museu do Vaticano (Vaticano)
*Ps (ii): O Iguatemi e JK Iguatemi, através do Lounge One, promovem **visitas guiadas na SP-Arte *já há algum tempo com parceiros maravilhosos e especialistas no tema. Dêem uma pesquisada e aproveitem.
Publicada originalmente no Medium. Ver no Medium.
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